Friday, June 25, 2010
Thursday, June 24, 2010
Wednesday, June 23, 2010
e eu menos a conhecera mais a amara...







"O pintor Paul Gauguin amou as luzes na Baía da Guanabara. O
compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela. A Baía de
Guanabara. O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía
de Guanabara; pareceu-lhe uma boca banguela. [...] mas será ao
mesmo tempo bela e banguela a Guanabara?"
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Caetano Veloso,
Jean-Baptiste Debret
Infância





Aqui, onde hoje está este vazio, preenchido por seixos brancos, estava a casa onde eu nasci. Este é o bairro da minha infância e juventude.
O meu pai começou a trabalhar para a fábrica na montagem do tapete rolante que se vê sobre o bairro. Ainda hoje serve para trazer a matéria prima da pedreira, nos montes, para a fábrica, cá em baixo junto ao rio.
A minha mãe, já nasceu aqui também, neste bairro, que o meu avô, seu pai, ajudou a construir. Quando era pequeno ainda não tínhamos água da rede, a água das casas vinha de um poço, a água de beber e cozinhar íamos buscá-la em bilhas de barro ao chafariz, que se pode ver na segunda foto, hoje já sem torneiras.
Tuesday, June 22, 2010
Nós ( ainda a propósito de Saramago)

O 25 de Abril podia nem ter existido e a ditadura, teria por si só evoluído para este estado de coisas em que vivemos. Assim o disse José Saramago e eu que em tempos idos poderia ter discordado, iludido por conversas de madrugadas prenhes e luminosas manhãs, agora digo sim, com efeito, o que vivemos é fruto desse Estado Novo, sua descendência directa e natural.
Os herdeiros das suas elites gozam prazenteiramente de todas as vantagens do seu estatuto, sem a carga odiosa e a má consciência do antigo regime. Somos uma democracia liberal, burguesa, actual e progressiva.
O apogeu da era industrial no Ocidente, culminando na deslocalização das fábricas para locais sempre menos regulamentados e de mão de obra, por via disso, mais desprotegida e mais barata, deu lugar à era do consumo sempre crescente. Tendo aderido desde a sua fundação à OCDE, Portugal, era sem dúvida parte integrante deste movimento, mesmo que duma forma tardia, a sua influência far-se-ia sempre sentir no país e a evolução de Espanha, aqui ao nosso lado, seria também mais um factor que precipitaria, mais tarde ou mais cedo e de qualquer maneira, a mudança de regime.
Tínhamos contudo, pelo menos uma particularidade evidente : os restos do Império, ardendo em África, em várias frentes de guerra. Esta particularidade foi decisiva para a ocorrência do 25 de Abril e para as diversas formas de que este acontecimento se foi revestindo.
O sangue de África, é uma conversa dura de ter, o sangue de África é qualquer coisa que nos transcenderá sempre e para os que não foram ou vieram de lá, como eu, quase um interdito.
As lágrimas do império - uma nação é feita do sonho de gerações, dos longes que nos inculcam no horizonte pessoal, mais ainda daqueles horizontes que fazemos nossos, em viagens de afirmação, vidas feitas de risco, de partidas, sonhos cumpridos e sonhos desfeitos. As lágrimas do império, serão sempre uma oportunidade nossa, uma diáspora mais antiga do que a diáspora europeia, mais moderna e mais fluida esta, se calhar não menos fatalista e trágica.
Entre estes destinos se decide o destino de Portugal. Ser Europa no Mundo e Mundo na Europa, soa certo e só o fazendo certo, teremos futuro.
A opção é tornarmos real, outra afirmação de Saramago, a de que Portugal será mais uma região de Espanha, entretanto renomeada Ibéria. Até pode ser que sim e mal nenhum virá daí, seria o regresso à nossa velha mãe, mas a nossa vida, a nossa deriva histórica levaram-nos mais longe e deram-nos outras maneiras de ser.
Heart country
Let Me Think
You ask me about that country whose details now escape me,
I don't remember its geography, nothing of its history.
And should I visit it in memory,
It would be as I would a past lover,
After years, for a night, no longer restless with passion,
With no fear of regret.
I have reached that age when one visits the heart merely as a courtesy.
-- Faiz Ahmed Faiz
You ask me about that country whose details now escape me,
I don't remember its geography, nothing of its history.
And should I visit it in memory,
It would be as I would a past lover,
After years, for a night, no longer restless with passion,
With no fear of regret.
I have reached that age when one visits the heart merely as a courtesy.
-- Faiz Ahmed Faiz
Monday, June 21, 2010
We must carry each other

“We must carry each other. If we don’t have this, what are we? The spirit in the body is like wine in a glass; when it spills, it seeps into air and earth and light… It’s a mistake to think it’s the small things we control and not the large, it’s the other way around! We can’t stop the small accident, the tiny detail that conspires into fate: the extra moment you run back for something forgotten, a moment that saves you from an accident – or causes one. But we can assert the largest order, the large human values daily, the only order large enough to see.”
from Anne Michael's Fugitive Pieces (p. 22)
Everything is going to be all right

How should I not be glad to contemplate
the clouds clearing beyond the dormer window
and a high tide reflected on the ceiling?
There will be dying, there will be dying,
but there is no need to go into that.
The poems flow from the hand unbidden
and the hidden source is the watchful heart.
The sun rises in spite of everything
and the far cities are beautiful and bright.
I lie here in a riot of sunlight
watching the day break and the clouds flying.
Everything is going to be all right.
~ Derek Mahon ~
(Collected Poems)
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Derek Mahon,
Kasimir Malevitch
Friday, June 18, 2010
(Poem #1779) You

(Poem #1779) You
Uninvited, the thought of you stayed too late in my head,
so I went to bed, dreaming you hard, hard, woke with your name,
like tears, soft, salt, on my lips, the sound of its bright syllables
like a charm, like a spell.
Falling in love
is glamorous hell; the crouched, parched heart
like a tiger ready to kill; a flame's fierce licks under the skin.
Into my life, larger than life, beautiful, you strolled in.
I hid in my ordinary days, in the long grass of routine,
in my camouflage rooms. You sprawled in my gaze,
staring back from anyone's face, from the shape of a cloud,
from the pining, earth-struck moon which gapes at me
and I open the bedroom door. The curtains stir. There you are
on the bed, like a gift, like a touchable dream.
-- Carol Ann Duffy
passarola

Blimunda
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Blimunda Sete-Luas, personagem da obra Memorial do Convento, é filha de Sebastiana Maria de Jesus, uma mulher condenada pela Inquisição por ser cristã-nova. Na obra, Blimunda enceta uma relação íntima com Baltasar que vai contra os padrões da época, uma relação baseada na partilha, na fruição do amor pleno, sem compromissos ou culpa.
Esta personagem possui extraordinárias capacidades de vidente e um dom particular - a ecovisão - que lhe permite ver no interior dos corpos os males que destroem a vida – a hipocrisia e a mentira – mas também as verdades mais profundas que corroem o mundo e os homens.
Esta faculdade fora do comum permite-lhe ajudar na construção da máquina de voar do padre Bartolomeu de Gusmão, a passarola, sendo fulcral para o efectivo voo da mesma dado ter sido Blimunda quem recolheu as “vontades” vitais que permitiram que a máquina se erguesse do chão.
Poema à boca fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
José Saramago
1922-2010
flirting with technology





"Each of the works in this new show were finished in under two days. Shown for the first time in Europe, the pieces include landscapes of Hockney’s native Yorkshire, and portraits of his siblings, friends, and associates. Like the series, their titles are playful, such as “Less Trees near Warter.” Hockney is flirting with technology, and taking advantage of its increased efficiency. It is not unusual for Hockney to work through different modes of technology; as a photographer, he has used a Xerox machine, iPhones, a Polaroid camera and even fax machines. Now that PhotoShop has advanced to where Hockney can use it to create highly detailed “paintings,” with the people and places in the artist’s life as his subjects."
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Thursday, June 17, 2010
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