Showing posts with label Manuel António Pina. Show all posts
Showing posts with label Manuel António Pina. Show all posts

Wednesday, November 14, 2012

esplanada


ESPLANADA


 Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

 agora lês saramago & coisas assim 
eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

 O café agora é um banco, tu professora do liceu:
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos de andar como dantes,
chamando do fundo do meu coração.

  Manuel António Pina

Tuesday, June 21, 2011

os meus heróis e os meus livros

"...
Senhor, permite que algo permaneça,

alguma palavra ou alguma lembrança,

que alguma coisa possa ter sido

de outra maneira,

não digo a morte, nem a vida,

mas alguma coisa mais insubstancial.


Se não para que me deste os substantivos e os verbos,

o medo e a esperança,

a urze e o salgueiro,

os meus heróis e os meus livros?
..."

in Cuidados Intensivos III

Monday, May 16, 2011

Naquele tempo

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

Manuel António Pina