Friday, July 2, 2010

Atenção ao comboio sem paragem (2)



Atenção ao comboio sem paragem (2).

- Começa sempre pela vida, pelo que existe mesmo
é sempre mais e mais rico do que aquilo que possas imaginar :
as curvas nas piscinas do pintor, os estranhos sons
na canção, a cena que só num filme...
tudo existe ou acontece, sempre a cada momento.
Como a magia de seres tu e eu ser eu,
e sermos nós. Um tropeção muda a ordem das coisas.

missing link





funny stuff at the office...missing link, Dalai Lama, disconnected

Thursday, July 1, 2010

the demon of speed




Distance has collapsed and time shattered,
the demon of speed has put its feet on the peaks
of the highest mountains and diverted the brooks,
poisoned seeds fell on the earth,
poisoned fluid flew in the branches.
The powerful tribe of humans has died out,
all knew that the end was imminent.

Anna Akhmatova, 1960

Hiroshima



comboio sem paragem




Atenção ao comboio sem paragem (1).


Lá longe, entre os astros,
onde as poeiras e os gases cintilam com as primitivas cores da perfeição,
nascem mundos destinados a ser habitados por seres perfeitos e belos.
Filhos dos deuses antigos, dedicam-se apenas ao que importa
o amor e o ódio, jogos sem tempo ou limite
uma eterna demanda, não se fazem perguntas.
Traição e entrega, como rios mananciais sem fim
tudo o que possamos imaginar acontece lá e mais.

Wednesday, June 30, 2010

Blade runner



"During his investigation, Deckard learns that replicants are provided implanted memories, and he uses this fact to help Rachael understand the truth about her origins by quoting one of the memory vignettes that were programmed into her. Likewise, Gaff (Edward James Olmos), the mysterious police officer that has been following Deckard around throughout the investigation, seems to know about Deckard's unicorn dream when he leaves an origami unicorn outside of Deckard's apartment at the end of the film. The only way that Gaff could have known about Deckard's private thoughts would be if Deckard was a replicant, and that the unicorn dream was one of the standard memory implants that he possessed."
interesting read, here

Wednesday, June 23, 2010

Underground Art








virtual exhibition here, check it please

e eu menos a conhecera mais a amara...










"O pintor Paul Gauguin amou as luzes na Baía da Guanabara. O
compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela. A Baía de
Guanabara. O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía
de Guanabara; pareceu-lhe uma boca banguela. [...] mas será ao
mesmo tempo bela e banguela a Guanabara?"

Infância







Aqui, onde hoje está este vazio, preenchido por seixos brancos, estava a casa onde eu nasci. Este é o bairro da minha infância e juventude.
O meu pai começou a trabalhar para a fábrica na montagem do tapete rolante que se vê sobre o bairro. Ainda hoje serve para trazer a matéria prima da pedreira, nos montes, para a fábrica, cá em baixo junto ao rio.
A minha mãe, já nasceu aqui também, neste bairro, que o meu avô, seu pai, ajudou a construir. Quando era pequeno ainda não tínhamos água da rede, a água das casas vinha de um poço, a água de beber e cozinhar íamos buscá-la em bilhas de barro ao chafariz, que se pode ver na segunda foto, hoje já sem torneiras.

Tuesday, June 22, 2010

Nós ( ainda a propósito de Saramago)




O 25 de Abril podia nem ter existido e a ditadura, teria por si só evoluído para este estado de coisas em que vivemos. Assim o disse José Saramago e eu que em tempos idos poderia ter discordado, iludido por conversas de madrugadas prenhes e luminosas manhãs, agora digo sim, com efeito, o que vivemos é fruto desse Estado Novo, sua descendência directa e natural.
Os herdeiros das suas elites gozam prazenteiramente de todas as vantagens do seu estatuto, sem a carga odiosa e a má consciência do antigo regime. Somos uma democracia liberal, burguesa, actual e progressiva.
O apogeu da era industrial no Ocidente, culminando na deslocalização das fábricas para locais sempre menos regulamentados e de mão de obra, por via disso, mais desprotegida e mais barata, deu lugar à era do consumo sempre crescente. Tendo aderido desde a sua fundação à OCDE, Portugal, era sem dúvida parte integrante deste movimento, mesmo que duma forma tardia, a sua influência far-se-ia sempre sentir no país e a evolução de Espanha, aqui ao nosso lado, seria também mais um factor que precipitaria, mais tarde ou mais cedo e de qualquer maneira, a mudança de regime.
Tínhamos contudo, pelo menos uma particularidade evidente : os restos do Império, ardendo em África, em várias frentes de guerra. Esta particularidade foi decisiva para a ocorrência do 25 de Abril e para as diversas formas de que este acontecimento se foi revestindo.
O sangue de África, é uma conversa dura de ter, o sangue de África é qualquer coisa que nos transcenderá sempre e para os que não foram ou vieram de lá, como eu, quase um interdito.
As lágrimas do império - uma nação é feita do sonho de gerações, dos longes que nos inculcam no horizonte pessoal, mais ainda daqueles horizontes que fazemos nossos, em viagens de afirmação, vidas feitas de risco, de partidas, sonhos cumpridos e sonhos desfeitos. As lágrimas do império, serão sempre uma oportunidade nossa, uma diáspora mais antiga do que a diáspora europeia, mais moderna e mais fluida esta, se calhar não menos fatalista e trágica.
Entre estes destinos se decide o destino de Portugal. Ser Europa no Mundo e Mundo na Europa, soa certo e só o fazendo certo, teremos futuro.
A opção é tornarmos real, outra afirmação de Saramago, a de que Portugal será mais uma região de Espanha, entretanto renomeada Ibéria. Até pode ser que sim e mal nenhum virá daí, seria o regresso à nossa velha mãe, mas a nossa vida, a nossa deriva histórica levaram-nos mais longe e deram-nos outras maneiras de ser.

craft


ALBRECHT DÜRER
Coruja
1508

virtuosismo, pode a arte prescindir dele ? eu digo que sim.

dias contados



os meus dias estão contados...

Heart country

Let Me Think

You ask me about that country whose details now escape me,
I don't remember its geography, nothing of its history.
And should I visit it in memory,
It would be as I would a past lover,
After years, for a night, no longer restless with passion,
With no fear of regret.
I have reached that age when one visits the heart merely as a courtesy.

-- Faiz Ahmed Faiz

Monday, June 21, 2010

We must carry each other




“We must carry each other. If we don’t have this, what are we? The spirit in the body is like wine in a glass; when it spills, it seeps into air and earth and light… It’s a mistake to think it’s the small things we control and not the large, it’s the other way around! We can’t stop the small accident, the tiny detail that conspires into fate: the extra moment you run back for something forgotten, a moment that saves you from an accident – or causes one. But we can assert the largest order, the large human values daily, the only order large enough to see.”

from Anne Michael's Fugitive Pieces (p. 22)