Monday, December 6, 2010
avós
(- Vou fazer qualquer coisa irracional e desligar-me da máquina - só para provar que sou humano...)
O céu exibe no azul cristalino os rastos dos jactos do dia, está muito frio
as avós regressam a casa depois de um dia na apanha da azeitona.
Acendem os fogos nas salas, para tornar a noite suportável,
olham para a chama, como se não a vissem,
como se fossem apenas um espelho.
Dentro do peito armazenam o calor que usarão depois como força motriz.
não sabes nada delas só por olhares para elas, sentadas no chão a tagarelar,
a fazer o que há para fazer.
Tens de seguir as teias que elas tecem, entender como seguram o mundo,
como as aldeias morrem com elas.
(Pensas no fogo que tudo transforma em cinza e na força que esmaga os frutos e nos dá os seus sucos, pensas no vinho e no azeite. Pensas que na origem de tudo existe uma vontade, um querer claro e preciso, aguçado como uma navalha. Pensas - escondido do frio e do escuro, opado como um pão.)
Gaga
You say you are an acute assessor of fame. You of all people must know, then, that celebrity is fleeting. Doesn’t that scare the bejesus out of you?
Not in the book of Gaga.
Sorry?
In the book of Gaga, fame is in your heart, fame is there to comfort you, to bring you self-confidence and worth whenever you need it. I want my fans to love themselves. It’s almost like I want to hypnotize them so when they hear my music they love themselves instantly.
all here
Tuesday, November 30, 2010
In the Midwest
In the Midwest
by Edward Hirsch
Edward Hirsch He saw the iron wings of daybreak struggling
to rise over the warehouses stacked along the river.
Rotting wharves and bulkheads. Dead tracks
leading to railroad yards on the edge of nowhere,
the sun toiling in gray smoke on the horizon.
As if God had crumbled bits of charcoal
in the air and dusted the earth with ashes—
Eyelids of silt, thou shalt not open!
Scourge of asphalt and carbon, of slag heaps
and oil-stained piers, of soot and smog . . .
He was not a prophet of revision and announcement,
not the biblical kind, like Habakkuk or Amos,
and yet he wandered through the heartland alone
and saw the shattered spine of a bridge
collapsing in Gary; he saw the ruined breath
and gaping windows of a factory choking
in Youngstown; he saw the stench of history
seeping out of Sandusky and Calumet City . . .
Stops on the highway, stains on a dark map.
Foundries, industrial waste. Stripped quarries,
stripped land, what we’ve done to the sky
curdling over two drunks sleeping on an embankment
and waking up to a late day in the empire.
He kept speaking of Byzantium, of Constantinople.
He saw gulls feasting on garbage.
He saw the gouged bodies of the unborn.
Edward Hirsch, “In the Midwest” from Earthly Measures. Copyright © 1994 by Edward Hirsch. Used by permission of Alfred A. Knopf, a division of Random House, Inc.
Nos mercados impera o mau tempo...
Um grande navio de cruzeiro, estava atracado no cais hoje. Uma chuva miudinha acentuava um frio que nos entrava pelos ossos...para nós os que descíamos do comboio e chegávamos à cidade naquele instante era um dia como outro qualquer, frio e chato...
Para os do paquete, seria um dia diferente - um novo dia, numa nova cidade, será que o sol brilha sempre nos navios de cruzeiro ?
E nos mercados ? Nos mercados impera o mau tempo e as nuvens de borrasca não cessam de se avolumar sobre os céus da Europa, por enquanto vão carregando na periferia, mas tão certo como a chuva cair do céu para a terra vão carregar também no centro.
Primeiro os bárbaros caíram sobre os restos do império decadente, em orgias sem nexo devastaram as suas capitais outrora opulentas e requintadas, quando os festins terminarem e a noite imperar sobre as terras os deuses obscuros de crenças nocturnas terão o seu tempo de novo. O sangue e o suor, a dor, só com muita dor construiremos tudo de novo.
Duvidamos das gerações presentes e das que virão, duvidamos do seu estoicismo e da sua garra, o tempo as moldará, como o fogo e a força moldam o ferro e o aço. O tempo.
O navio de cruzeiro parece uma incongruência aqui na rua, uma ruína já, mas move-se, move-se ainda e seduz com o som das suas sirenes. Vai partir, vai partir...
Saturday, November 27, 2010
Water
Wendell Berry: Water
I was born in a drouth year. That summer
my mother waited in the house, enclosed
in the sun and the dry ceaseless wind,
for the men to come back in the evenings,
bringing water from a distant spring.
veins of leaves ran dry, roots shrank.
And all my life I have dreaded the return
of that year, sure that it still is
somewhere, like a dead enemy’s soul.
Fear of dust in my mouth is always with me,
and I am the faithful husband of the rain,
I love the water of wells and springs
and the taste of roofs in the water of cisterns.
I am a dry man whose thirst is praise
of clouds, and whose mind is something of a cup.
My sweetness is to wake in the night
after days of dry heat, hearing the rain.
Wednesday, November 24, 2010
Les lilas et les roses
Les lilas et les roses
x
Ô mois des floraisons mois des métamorphoses
Mai qui fut sans nuage et Juin poignardé
Je n'oublierai jamais les lilas ni les roses
Ni ceux que le printemps dans ses plis a gardés
Je n'oublierai jamais l'illusion tragique
Le cortège les cris la foule et le soleil
Les chars chargés d'amour les dons de la Belgique
L'air qui tremble et la route à ce bourdon d'abeilles
Le triomphe imprudent qui prime la querelle
Le sang que préfigure en carmin le baiser
Et ceux qui vont mourir debout dans les tourelles
Entourés de lilas par un peuple grisé
Je n'oublierai jamais les jardins de la France
Semblables aux missels des siècles disparus
Ni le trouble des soirs l'énigme du silence
Les roses tout le long du chemin parcouru
Le démenti des fleurs au vent de la panique
Aux soldats qui passaient sur l'aile de la peur
Aux vélos délirants aux canons ironiques
Au pitoyable accoutrement des faux campeurs
Mais je ne sais pourquoi ce tourbillon d'images
Me ramène toujours au même point d'arrêt
A Sainte-Marthe Un général De noirs ramages
Une ville normande au bord de la forêt
Tout se tait L'ennemi dans l'ombre se repose
On nous a dit ce soir que Paris s'est rendu
Je n'oublierai jamais les lilas ni les roses
Et ni les deux amours que nous avons perdus
Bouquets du premier jour lilas lilas des Flandres
Douceur de l'ombre dont la mort farde les joues
Et vous bouquets de la retraite roses tendres
Couleur de l'incendie au loin roses d'Anjou
LOUIS ARAGON «Le Crève-Coeur» Gallimard 1940
Tuesday, November 23, 2010
Monday, November 22, 2010
Tuesday, November 16, 2010
Femmes du Maroc
Converging Territories #10C, 2003
Les Femmes du Maroc. Haremschönheit. 2008
Chromogener Druck auf Aluminum
122 x 76 x 3 cm
Chromogener Druck auf Aluminum
122 x 76 x 3 cm
© Foto: Courtesy Société Générale Maroc
Monday, November 15, 2010
Oh well
Visto de frente o violinista parece pendurado pelo pescoço no cabo eléctrico suspenso do tecto, condenado pela extrema beleza da música que toca.
A trepadeira do quintal cresce duas estações para atingir um Apocalipse de fogo à terceira...agora vai dormir todo o Inverno.
Uma moça bonita vem descendo a Avenida na minha direcção, miro-a embevecido pela frescura dos seus verdes anos e a feminilidade da sua figura, quando passa por mim não posso deixar de ouvir a sua conversa ao telefone : - ...estava fodido, ouviste ?! eu disse-lhe que estava fodido...
Oh, well, nós os velhos jarretas somos mesmo uns corações moles...
A trepadeira do quintal cresce duas estações para atingir um Apocalipse de fogo à terceira...agora vai dormir todo o Inverno.
Uma moça bonita vem descendo a Avenida na minha direcção, miro-a embevecido pela frescura dos seus verdes anos e a feminilidade da sua figura, quando passa por mim não posso deixar de ouvir a sua conversa ao telefone : - ...estava fodido, ouviste ?! eu disse-lhe que estava fodido...
Oh, well, nós os velhos jarretas somos mesmo uns corações moles...
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John Lennon,
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