Monday, August 20, 2012

take me home...


I’m about to leave. I ask him to take me home. […] The road home isn’t very long, and I know I’ll be getting off soon. But at this moment, I’m feeling such lovely warmth.

Friday, August 10, 2012

depois da maçã...

Adão e Eva Expulsos do Paraíso

Noite



A luz é só outro ruído na noite,
cúmplice o rio corre, carregando o seu silêncio
tudo o que nasce, desagua numa foz.

BARREN

1bar·ren

adj \ˈber-ən, ˈba-rən\
 

Definition of BARREN

1
: not reproducing: as a: incapable of producing offspring —used especially of females or matings b: not yet or not recently pregnant c: habitually failing to fruit
2
: not productive: as a: producing little or no vegetation : desolate <barren deserts> b: producing inferior crops <barren soil> c: unproductive of results or gain : fruitless barren
scheme>
3
: devoid, lacking —used with of <barren of excitement>
4
: lacking interest or charm barren
routine>
5
: lacking inspiration or ideas barren
mind>
bar·ren·lyadverb
bar·ren·ness \-ə(n)-nəs\noun

A "Thank You" Note


There is much I owe
to those I do not love.

The relief in accepting
they are closer to another.

Joy that I am not
the wolf to their sheep.

My peace be with them
for with them I am free,
and this, love can neither give,
nor know how to take.

I don't wait for them
from window to door.
Almost as patient
as a sun dial,
I understand
what love does not understand.
I forgive
what love would never have forgiven.

Between rendezvous and letter
no eternity passes,
only a few days or weeks.

My trips with them always turn out well.
Concerts are heard.
Cathedrals are toured.
Landscapes are distinct.

And when seven rivers and mountains
come between us,
they are rivers and mountains
well known from any map.

It is thanks to them
that I live in three dimensions,
in a non-lyrical and non-rhetorical space,
with a shifting, thus real, horizon.

They don't even know
how much they carry in their empty hands.

"I don't owe them anything",
love would have said
on this open topic.

Monday, August 6, 2012

MULHERES CORRENDO, CORRENDO PELA NOITE

    

Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredoras magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo.

É o som delas batendo como estrelas
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam, lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando.

De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um canto
da noite, lembrando.

Ouço: são elas que partem. E levam
o sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.

Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
como magnólias pensando, abertas, correndo.
Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
de lado, com as patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.

Correndo, lembrando, batendo.

Saturday, August 4, 2012

Leda e o cisne

Escondemos as nossas intenções num emaranhado de traços, falsas partidas, somos difusos onde se exige o concreto...não sei do sim ou do não, só do talvez, do assim-assim, do já que tu o queres...gente que ficou no cais a ver partir, os que nunca regressam...Jupiter conseguiu o que queria, resta-nos a eternidade para revelar as máscaras
É um caminho.

Tuesday, July 31, 2012

Do not go gentle into that good night

by Dylan Thomas

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

 Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

Tuesday, July 24, 2012

1/0



INOCÊNCIA

No pórtico da casa, entre lilases,
o par de namorados brincava de apertar-se as mãos
e de contar os dedos.
Havia sempre um dedo a mais.


SABEDORIA

Tarde da noite, o «party» terminava
num desabar de bêbados
e de falsos bêbados.

O bêbado despiu-se lentamente,
os falsos bêbados rodearam-no.

No dia seguinte, ninguém conseguia lembrar-se do que acontecera.


JORGE DE SENA in "Sequências", Série «América, América, I Love You", colecção Círculo de Poesia da Moraes Editores, 1ª ed. de Julho de 1980
(Os dois poemas foram escritos a 12/Ago/1969)
Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes


Monday, July 23, 2012

I rose in it

“Don’t ever think I fell for you, or fell over you. I didn’t fall in love, I rose in it.”

- Toni Morrison
 
 

Kerouac



““It’s not that I can’t fall in love. It’s really that I can’t help falling in love with too many things all at once So, you must understand why I can’t distinguish between what’s platonic and what isn’t, because it’s all too much and not enough at the same time.””

-
Jack Kerouac

no words


no words...the heat is on.

Sunday, July 22, 2012

sono

o sono é uma praia vazia, vazia de vento e com o mar mudo

Saturday, July 21, 2012

Tuesday, July 17, 2012

noite

aponto a minha câmara para o centro da galáxia, deixo o canto das cigarras tratar da focagem...as noites sem lua têm muito mais céu

Thursday, July 5, 2012

a un gato



No son más silenciosos los espejos
ni más furtiva el alba aventurera;
eres, bajo la luna, esa pantera
que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
divino, te buscamos vanamente;
más remoto que el Ganges y el poniente,
tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
caricia de mi mano. Has admitido,
desde esa eternidad que ya es olvido,
el amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.

A lição de Fukushima

"A catástrofe de Fukushima "é o resultado de um conluio entre o Governo, as agências de regulação e o operador Tepco (Tokyo Electric Power Company), e de uma falta de gestão naquelas mesmas instâncias", concluiu o relatório final. O documento apontou graves deficiências na actuação do Governo - nomeadamente do então primeiro-ministro Naoto Kan, que se demitiu no ano passado depois de críticas à forma como geriu a crise - e dos responsáveis da central nuclear. “Durante a investigação, a comissão encontrou uma ignorância e uma arrogância que não têm desculpa para qualquer pessoa ou organização que lide com energia nuclear."

Este painel de peritos considera que houve várias oportunidades perdidas e que a companhia responsável poderia ter adoptado medidas para evitar o acidente, vários anos antes de este acontecer. "A direcção da Tepco estava consciente dos atrasos nos trabalhos anti-sísmicos e nas medidas contra os tsunamis. Sabia que Fukushima Daiichi era vulnerável”, salientou a comissão."

No Público de hoje, 5/7/2012

A energia nuclear dizem alguns é neste momento viável e a solução para comportar as nossas necessidades de energia, enquanto as mesmas não são satisfeitas pelas energias renováveis...A pergunta no fundo é sempre a mesma : a que preço ?