Monday, September 13, 2010
Friday, September 10, 2010
Thursday, September 9, 2010
vamos começar um clube de debate ?
Four ApostlesAlbrecht Durer1528 Oil on panel, 215 x 76 cm ( Apostles John and Peter), 214 x 76 cm (Apostle Paul and the Evangelist Mark) Munich, Alte Pinakotek |
| The 'Apostles John and Peter' and the 'Apostle Paul and the Evangelist Mark'. The two paintings of four apostles was Durer’s gift to the Council of the city of Nuremberg. |
Wednesday, September 8, 2010
a verdade de uma metáfora
"Disse Amiel que uma paisagem é um estado de alma, mas a frase é uma felicidade frouxa de sonhador débil. Desde que a paisagem é paisagem, deixa de ser um estado de alma. Objectivar é criar, e ninguém diz que um poema feito é um estado de estar pensando em fazê-lo. Ver é talvez sonhar, mas se lhe chamamos ver em vez de lhe chamarmos sonhar, é que distinguimos sonhar de ver.
De resto, de que servem estas especulações de psicologia verbal? Independentemente de mim, cresce erva, chove na erva que cresce, e o sol doira a extensão da erva que cresceu ou vai crescer; erguem-se os montes de muito antigamente, e o vento passa com o mesmo modo com que Homero, ainda que não existisse, o ouviu. Mais certa era dizer que um estado da alma é uma paisagem; haveria na frase a vantagem de não conter a mentira de uma teoria, mas tão somente a verdade de uma metáfora."
in Livro do Desassossego
Depois dos grandes calores,
dos fogos devastadores
restam-nos manifestações extremas,
encostas desoladas por onde escorrem
enxurradas de lágrimas.
Tudo renasce, tudo se reconstrói
sempre algo se perde.
De resto, de que servem estas especulações de psicologia verbal? Independentemente de mim, cresce erva, chove na erva que cresce, e o sol doira a extensão da erva que cresceu ou vai crescer; erguem-se os montes de muito antigamente, e o vento passa com o mesmo modo com que Homero, ainda que não existisse, o ouviu. Mais certa era dizer que um estado da alma é uma paisagem; haveria na frase a vantagem de não conter a mentira de uma teoria, mas tão somente a verdade de uma metáfora."
in Livro do Desassossego
Depois dos grandes calores,
dos fogos devastadores
restam-nos manifestações extremas,
encostas desoladas por onde escorrem
enxurradas de lágrimas.
Tudo renasce, tudo se reconstrói
sempre algo se perde.
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Bernardo Soares,
Fernando Pessoa
Tuesday, September 7, 2010
O coração
"Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como
outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a
Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o
fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."
do Livro do Desassossego
outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a
Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o
fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."
do Livro do Desassossego
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Bernardo Soares,
Fernando Pessoa
Let Evening Come
Jane Kenyon: Let Evening Come
Let the light of late afternoon
shine through chinks in the barn, moving
up the bales as the sun moves down.
shine through chinks in the barn, moving
up the bales as the sun moves down.
Let the cricket take up chafing
as a woman takes up her needles
and her yarn. Let evening come.
as a woman takes up her needles
and her yarn. Let evening come.
Let dew collect on the hoe abandoned
in long grass. Let the stars appear
and the moon disclose her silver horn.
in long grass. Let the stars appear
and the moon disclose her silver horn.
Let the fox go back to its sandy den.
Let the wind die down. Let the shed
go black inside. Let evening come.
Let the wind die down. Let the shed
go black inside. Let evening come.
To the bottle in the ditch, to the scoop
in the oats, to air in the lung
let evening come.
in the oats, to air in the lung
let evening come.
Let it come, as it will, and don’t
be afraid. God does not leave us
comfortless, so let evening come.
be afraid. God does not leave us
comfortless, so let evening come.
Monday, September 6, 2010
O meu mal é ter uma curiosidade de puta.
"Sente-se mais generoso como escritor ou como
leitor?
Eu leio de tudo. Interesso-me por tudo.Não só por
literatura. Revistas, jornais, artigos de opinião,
História. Livros de não-ficção, gosto muito. Fico
obcecado por um assunto e vou por aí fora.
Qual é a sua obsessão actual?
Aobsessão actual é a botânica.Ainda ontem estive
a ler uma coisa sobre a relação entre os fungos
e as árvores.
Parece, em si, um interesse muito improvável.
Não é improvável, não.Tudo é interessante. Se se
vir bem, não há nada que não seja profundamente
interessante.O meu mal é ter uma curiosidade
de puta. Acho tudo fascinante. Depois, há a utilidade marginal,
que é um conceito fabuloso da
economia. É verdade que as primeiras horas em
que estás a ler uma coisa nova são as mais ricas.
É quando se aprende mais. Quando a utilidade
marginal começa a descer, ou seja, quando já não
adianta a não ser estando mais uma semana, então
abandono e começo com outra área.Não vou
até ao fim.
Não quer tornar-se um especialista.
De nada. Não. E também porque isso me convém
para escrever.Convém-me ter uma noção das coisas.
Posso precisar. "
O velho MEC de todos nós...
leitor?
Eu leio de tudo. Interesso-me por tudo.Não só por
literatura. Revistas, jornais, artigos de opinião,
História. Livros de não-ficção, gosto muito. Fico
obcecado por um assunto e vou por aí fora.
Qual é a sua obsessão actual?
Aobsessão actual é a botânica.Ainda ontem estive
a ler uma coisa sobre a relação entre os fungos
e as árvores.
Parece, em si, um interesse muito improvável.
Não é improvável, não.Tudo é interessante. Se se
vir bem, não há nada que não seja profundamente
interessante.O meu mal é ter uma curiosidade
de puta. Acho tudo fascinante. Depois, há a utilidade marginal,
que é um conceito fabuloso da
economia. É verdade que as primeiras horas em
que estás a ler uma coisa nova são as mais ricas.
É quando se aprende mais. Quando a utilidade
marginal começa a descer, ou seja, quando já não
adianta a não ser estando mais uma semana, então
abandono e começo com outra área.Não vou
até ao fim.
Não quer tornar-se um especialista.
De nada. Não. E também porque isso me convém
para escrever.Convém-me ter uma noção das coisas.
Posso precisar. "
O velho MEC de todos nós...
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Miguel Esteves Cardoso
sonho
O pensador alemão Christoph Türcke
"A vida é sonho?
Seria bonito. Mas não é assim. A vida é um conjunto de vários estados. Um deles é o sonho. Representa o subsolo da nossa vida, É a massa de fermentação de todos os nossos desejos, planos, projetos.
Ninguém aguenta a vida sem sonho. Sem sonho não há esperança, não há humanidade."
muito interessante
os tiraninhos
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR
António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
................................................
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
Água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu...
......................................................
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas afinal é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
................................................
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
Água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu...
......................................................
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas afinal é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
Fernando Pessoa
Friday, September 3, 2010
Thursday, September 2, 2010
tendre mélancolie
"L'admirable singularité de cette figure dans laquelle éclataient les grâces naïves et l'empreinte céleste de l'âme la plus noble, c'est que, bien que de la plus rare et de la plus singulière beauté, elle ne ressemblait en aucune façon aux têtes des statues grecques. La duchesse avait au contraire un peu trop de la beauté connue de l'idéal, et sa tête vraiment lombarde rappelait le sourire voluptueux et la tendre mélancolie des belles Hérodiades de Léonard de Vinci."
Stendhal, La Chartreuse de Parme, chapitre XV.
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Leonardo da Vinci,
Stendhal
Wednesday, September 1, 2010
feline
Reclining Woman on Leopard Skin, 1927. Oil on wood. Herbert F. Johnson Museum of Art, Cornell University, Gift of Samuel A. Berger © 2010 Artists Rights Society, New York/VG Bild-Kunst, Bonn.
check it out
Tuesday, August 31, 2010
pretty pics

Vanessa Paradis Paolo Roversi Shoot taken back in 1998

Madonna, 1994

Tilda Swinton
by Paolo Roversi
pigment print, 2005
9 1/2 in. x 7 1/2 in. (240 mm x 189 mm)
Given by Paolo Roversi, 2007
Tilda Swinton (1961-), Actress.

Laeticia Casta in Alberta Ferretti F/W2003, ©Paolo Roversi.
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Paolo Roversi,
photographers
contente
na minha banheira um cabelo desenha um oito,
coisa que até um ignorante como eu sabe que representa o infinito
no céu da praia umas pinceladas leves de branco
tornam o azul mais azul
e a moça loira que passa sorrindo, faz tudo parecer perfeito
como perfeitas são as conchas esquecidas pelas marés
as circunstâncias mudam sempre
e o mar que nos afaga hoje,
quer nos tragar amanhã
atirado contra as rochas de pouco vale o nosso corpo
contudo agora deixo-me ficar e sorrio
contente com o céu e o mar
coisa que até um ignorante como eu sabe que representa o infinito
no céu da praia umas pinceladas leves de branco
tornam o azul mais azul
e a moça loira que passa sorrindo, faz tudo parecer perfeito
como perfeitas são as conchas esquecidas pelas marés
as circunstâncias mudam sempre
e o mar que nos afaga hoje,
quer nos tragar amanhã
atirado contra as rochas de pouco vale o nosso corpo
contudo agora deixo-me ficar e sorrio
contente com o céu e o mar
let go and smile

a hair on my bathtub draws the figure eight
which even an ignoramus like me knows is the infinite
at the beach look up at the sky
some soft brushes of white turn blue even bluer
the nice blonde girl smiling at me is perfect
as perfect as the shells the tides forgot are
circumstances are always shifting
and this gentle sea one day will reclaim us,
thrown against hard rocks
worthless is our body
yet now I let go and smile
satisfied by sea and sky.
Correr no azul
Prólogo
Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.
Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.
A minh’alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a força de sumir também.
Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul à busca da beleza.
Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.
Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.
A minh’alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a força de sumir também.
Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul à busca da beleza.
Monday, August 30, 2010
oh Heliodor
To Heliodor from Przemysl: “You write, ‘I know my poems have many faults, but so what, I’m not going to stop and fix them.’ And why is that, oh Heliodor? Perhaps because you hold poetry so sacred? Or maybe you consider it insignificant? Both ways of treating poetry are mistaken, and what’s worse, they free the novice poet from the necessity of working on his verses. It’s pleasant and rewarding to tell our acquaintances that the bardic spirit seized us on Friday at 2:45 p.m. and began whispering mysterious secrets in our ear with such ardor that we scarcely had time to take them down. But at home, behind closed doors, they assiduously corrected, crossed out, and revised those otherworldly utterances. Spirits are fine and dandy, but even poetry has its prosaic side.”
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este pastor perdeu a cabeça
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