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Friday, December 10, 2010

Braço de Prata



À saída da estação de Braço de Prata a posição elevada do comboio permite ao passageiro uma visão privilegiada sobre o estuário do Tejo. A Norte, a ponte Vasco da Gama delimita o estuário, que se estreita para  Sul. Em frente, o que em dias de névoa passa por um mar, é hoje, nesta manhã de Outono tardio, um estudo em tons de cinzento - mais claro, quase transparente o do céu, depois mais escuro, quase negro, o da Serra da Arrábida, entre esta e a prata do rio - a outra margem.

O dia. Os dias passam.

Na viagem de regresso vi um velho reflectido na janela do comboio. Com um meio sorriso devolvia-me o olhar, pensei que a sua boa disposição seria devida à tensão erótica evidente, quase palpável, partilhada pelo jovem casal sentado em frente a mim.
Com um calafrio percebi que o velho era eu. O velho já sou eu.


Curtas viagens fazem uma vida longa.



Tuesday, November 30, 2010

Nos mercados impera o mau tempo...


Um grande navio de cruzeiro, estava atracado no cais hoje. Uma chuva miudinha acentuava um frio que nos entrava pelos ossos...para nós os que descíamos do comboio e chegávamos à cidade naquele instante era um dia como outro qualquer, frio e chato...
Para os do paquete, seria um dia diferente - um novo dia, numa nova cidade, será que o sol brilha sempre nos navios de cruzeiro ?

E nos mercados ? Nos mercados impera o mau tempo e as nuvens de borrasca não cessam de se avolumar sobre os céus da Europa, por enquanto vão carregando na periferia, mas tão certo como a chuva cair do céu para a terra vão carregar também no centro.

Primeiro os bárbaros caíram sobre os restos do império decadente, em orgias sem nexo devastaram as suas capitais outrora opulentas e requintadas, quando os festins terminarem e a noite imperar sobre as terras os deuses obscuros de crenças nocturnas terão o seu tempo de novo. O sangue e o suor, a dor, só com muita dor construiremos tudo de novo.

Duvidamos das gerações presentes e das que virão, duvidamos do seu estoicismo e da sua garra, o tempo as moldará, como o fogo e a força moldam o ferro e o aço. O tempo.

O navio de cruzeiro parece uma incongruência aqui na rua, uma ruína já, mas move-se, move-se ainda e seduz com o som das suas sirenes. Vai partir, vai partir...

Monday, November 15, 2010

Oh well

Visto de frente o violinista parece pendurado pelo pescoço no cabo eléctrico suspenso do tecto, condenado pela extrema beleza da música que toca.

A trepadeira do quintal cresce duas estações para atingir um Apocalipse de fogo à terceira...agora vai dormir todo o Inverno.

Uma moça bonita vem descendo a Avenida na minha direcção, miro-a embevecido pela  frescura dos seus verdes anos e a feminilidade da sua figura, quando passa por mim não posso deixar de ouvir a sua conversa ao telefone : - ...estava fodido, ouviste ?! eu disse-lhe que estava fodido...
Oh, well, nós os velhos jarretas somos mesmo uns corações moles...

Friday, October 29, 2010

Um fato



Um fato

Chegas de fato e toda a gente sabe que a tua vida mudou - adquiriu um peso e uma gravidade diferentes.
(Ainda te ris da mesma maneira desconjuntada de rapaz e gastas serões agarrado à Playstation, contudo...).

O dia está escuro e quieto, antes de entrar para o Metro, reparo num veleiro de três mastros ancorado no cais.
Quando minutos mais tarde saio do Metro, as folhas rodopiam pelo ar e grossas gotas de chuva começam a cair...toda a gente corre para chegar enxuto ao destino.
O conhecido louco indiferente a tudo, continua o seu arengar na esquina...

Tanta gente, tantas histórias, podemos ignorar, deixar apenas o silêncio que as regras de conduta ditam imperar e então de todas as histórias, saberemos apenas uma ínfima parte, a ignorância é sempre mais confortável e acomodada. Ou podemos ser loucos, diferentes do louco que vive a sua mania apenas e querer abarcar o mundo e os outros, escutar histórias, como corações que batem, batem de mansinho nos nossos peitos recatados.

Chegas de fato e vais conquistar o mundo, o mais certo é ires coçar o fato numa secretária habitual, numa tarefa sempre igual, mas agora o fato é novo, como a tua ilusão e reparamos nele e em ti.

Wednesday, June 2, 2010

túlipa negra



Conta-se a história do senhor que muito divertido no Túlipa Negra, recebe uma chamada da mulher e exclama aflito : " - Como soubeste que estava aqui ?".
É claro que os telemóveis eram uma novidade então e Portugal vinha de entrar no ciclo de abundância que a Europa fugazmente nos propiciaria. Curiosamente a Holanda também teve a sua bolha das tulipas...só que no século XVII.

Vamos assim chegando sempre atrasados, como é aliás nosso apanágio e somos reconhecidos por isso...Chegamos atrasados às partes boas e às partes más, mas vamos chegando e ninguém nos pode negar um jeito muito próprio de chegar e de fazer.

Citando Alberto Caeiro :

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Friday, May 7, 2010

Subo cansado a rua



Subo cansado a rua, vou-me sentindo como um pedaço de roupa, lavado vezes sem conta, já sem cor.
Um homem ainda novo, atravessa pela passadeira dos peões , vem aos pulinhos tal qual um cabrito. Olha para o chão e sorri para si próprio – não sei se ria com ele ou o receie.
Tentam dar-me um panfleto do professor Mamadou, agradeço mas não aceito, não sei de sua ciência interesseira e não quero saber. Atendo uma amiga ao telefone, as noticias são boas, apesar de más, ainda existe uma pequena esperança de vida.
(continua)

Wednesday, May 5, 2010

Listen


The Supper at Emmaus
1601, Michelangelo Merisi da Caravaggio

Two of Jesus' disciples were walking to Emmaus after the Crucifixion when the resurrected Jesus himself drew near and went with them, but they did not recognise him. At supper that evening in Emmaus '... he took bread, and blessed it, and brake and gave to them. And their eyes were opened, and they knew him; and he vanished out of their sight' (Luke 24: 30-31). Christ is shown at the moment of blessing the bread and revealing his true identity to the two disciples.

Caravaggio's innovative treatment of the subject makes this one of his most powerful works. The depiction of Christ is unusual in that he is beardless and great emphasis is given to the still life on the table. The intensity of the emotions of Christ's disciples is conveyed by their gestures and expression. The viewer too is made to feel a participant in the event.

The picture was commissioned by the Roman nobleman Ciriaco Mattei in 1601.


Um homem espera sentado com a bitola na mão, que os colegas acabem de beber o café.
Passa um comboio rápido ao meu lado.
Uma rapariga magra, calça uns sapatos altíssimos, muito bem feitos, em pele de duas cores.
O dia está claro e limpo, não consigo ouvir nada contudo.
(continua)

Wednesday, April 28, 2010

people are trouble



It’s a quiet, beautiful morning.
I walk the large avenues, crowded with people, hyper-illuminated by the light reflecting from the large glass windows.
Each and everyone owns their individual craft or ship. I look at them at eye level as they pass me. Nobody looks back or even notices me, occupied in manning their ship, taking them where they want or just where they can or have to go.
I guess I know why people enclose themselves in their little ships. It is because other people are trouble.
People are trouble - you find confirmation of it in corners, in lying volumes hiding under car crosses and passageways. Those volumes are destitute people getting sleep during daylight, resting from night fears, feeling safe by the number of others going by.
People get sick with virus and bacteria, get maimed by bombs and car wrecks, people get heartbroken by other people, this is happening at all times, producing a vastness of pain and tears filling oceans, enlarging deserts, making volcanoes to erupt.
People always want something from you, at least some minutes of your precious time. As a safeguarding procedure you should stay away from people, animals are ok, they like you and help you, you can use and leave them at anytime, a new one can always replace the old or lost ones, its differences quickly forgotten.
People pretend to be different and unique, they fool you with kindness, with bright eyes and kind words. People have hearts and minds, people have dreams, dreams to share, dreams you used to dream before you knew better.
I’m at work now, safe, hidden in tasks and numbers, I will feel better as day goes by. Later in the evening I will watch the football on TV, I will eat, sleep. I will be ok, I will not be worrying about people anymore, I also have my dogs, yes I almost forgot I will have to feed them too, to walk them. That will be nice, they will be all happy, wagging their tails, licking my hands.

Thursday, April 15, 2010

mornings

The other day a guy told me about how in Google Earth, they found scars at the bottom of the Atlantic Ocean, that can be the remains of Atlantis…

Got a new poetry book yesterday - it's quite good, this guy says deep stuff with the ease and elegance of a bowler...

My train passes by this group of aging buildings, I wait for the right moment to lift my head from my reading, face the window, for what I know will be there, waiting to warm me up: a glimpse of the glaring morning sun reflected on the Tejo river.

Funny how people devote time and attention to search thousands of photographs of empty ocean in the hope of finding a trace of something mythological, long gone, but still felt deep in the conscious mind.

Train was late today, climbing the subway stairs into the street I look around trying to find my usuals, nope, all new faces for me today, a couple of minutes represent a sea change at this point.

Monday, April 12, 2010

heavenly lights




"Too old to rock'n'roll, too young to die..." you think how smart the guy who coined this phrase was. Then you lived through all the aspects of it : first you were too young to feel emcompassed by it, then you said it when you were right in the eye of the storm.
Now you outlived it and you fear going to medicals, never knowing what they're going to come up with...

Thursday, April 8, 2010

otempo




...na estação todos os ecrãs estão avariados e as pessoas andam de um lado para o outro à procura da linha certa, como formigas fora do carreiro - um homem anda à minha frente, o braço esquerdo colado ao corpo, arrastado como se não tivesse mobilidade própria fosse apenas um peso morto...nada magoa mais do que olharmo-nos ao espelho numa boa luz e com os óculos postos, aí vemos o tempo a fitar-nos de frente...

Penalty

A vida parece-se muito com os pontapés de grande penalidade - tu treinas e treinas, para teres a certeza do lado para onde vais atirar, nem ter de pensar, mas no momento, as condições do tempo, um alto no terreno, ou só a maneira como o guarda-redes te olha e se mexe...e tudo pode acontecer.

Wednesday, April 7, 2010

Sapatos e almas


inna-panasenko-011.jpg

A linda moça no comboio, usa o cabelo cortado à rapaz, o que só realça os seus grandes olhos meigos e o seu lindo pescoço. Reparo no que traz calçado : são uns ténis pretos com aplicações de pele de leopardo e uns corações vermelhos onde ficam os tornozelos.
Hoje a minha teoria é de que mais do que os olhos, os sapatos são os espelhos da alma. Diz-me o que calças direi quem és, os sapatos revelam tudo sobre ti, como te vês realmente, os teus segredos íntimos. Ou senão como explicar a escolha dos sapatos exageradamente bicudos e justos do sujeito de pasta, vestido de uma forma tão casual, ou a escolha por uns sapatos dourados e de saltos finos da senhora que outrora foi elegante, mas agora perdeu definitivamente a batalha da linha ?
A minha teoria contudo tem uma zona negra : não se aplica aos pobres - os pobres deste mundo calçam o que arranjam ou andam mesmo descalços...o que os torna perante esta teoria anónimos, não entidades, que é bem vistas as coisas como aparecem quase sempre. Ainda agora perante o dilúvio que se abateu sobre o Rio de Janeiro, são os pobres que mais sofrem e como de costume as noticias referirão os números de mortos e desalojados, pessoas sem rosto, ou máscaras intemporais de sofrimento e dor.
Mesmo o clima em guerra, ataca primeiro os mais pobres.
Entretanto abandono a teoria dos sapatos e das almas, acabo a desejar que a moça do inicio tenha uma vida boa, não sei porquê, desejo intensamente que seja feliz, por um momento é tudo o que quero.

Monday, April 5, 2010

melhor do que isto aqui



Esta semana mato o cabrito. Ando a engordá-lo desde o Natal, deixei-o mamar na cabra até querer, depois foi sempre mimo e papas tenras.
No Domingo, o rapaz e a rapariga virão da cidade e trarão os netos. Teremos mesa farta para todos, do bom e do melhor, que a mãe deles, lá nisso nunca falha.
Será o dia de festa da aldeia : logo de manhã alvorada com morteiros, cedo chegará a banda filarmónica que seguirá a tocar pelas ruas. Levarei os pequenos comigo atrás da banda um bocado, a mostrar-lhes a terra onde nasceram os avós e os pais, a mostrá-los aos outros também, claro, depois antes do almoço, levo-os até à fazenda.
Eles brincarão com a cabra, verão as galinhas e saberão donde vêm os ovos. Dir-lhes--ei onde plantei as batatas e mostrarei onde estão as crescer os alhos, os cebolos e a maternidade das alfaces, dos feijões, dos tomates e dos pimentos.
Depois do almoço, teremos missa e procissão em honra da Senhora da Saúde. Recolhida a Santinha a banda tocará no adro da igreja a sua despedida e toda a gente aplaudirá os músicos, lhes baterá nas costas e lhes oferecerá de beber.
O adro ficará então desimpedido para o leilão das oferendas, acondicionadas em tabuleiros de pão forrados com boas toalhas de linho. As raparigas casadoiras mostrarão os tabuleiros, andando em círculos à frente de todos.
As moças estarão vestidas nas suas melhores roupas e sapatos finos. O chão do adro, maltratado das chuvas, dificultará muito os seus passos, mas elas sorrirão o tempo todo e o pregoeiro puxará pela malta tentando conseguir sempre melhores lances.
Quando eu era novo, rapaz que quisesse uma rapariga, tinha de arrematar o tabuleiro que ela carregava. Hoje são os velhos que fazem os lances e será tudo feito com alguma pressa, porque se vai fazendo tarde para quem tem de ir embora.
O sol entretanto começa a ficar baixo, lancharemos ainda no quintal, ou dentro se o tempo não estiver para isso e depressa todos estarão a deixar a aldeia e a voltar às suas terras de agora.
No dia seguinte, voltarei à fazenda, soltarei a cabra para pastar agora só e voltarei ao almoço para comer os restos. O dia da festa serão apenas instantes, como cromos a perder a cor na minha cabeça e do que eu me lembrarei melhor serão os risos e a tagalerice dos garotos. A seguir voltarão no Natal, porque no Verão precisam de praia que agora dizem é bom para eles, melhor do que isto aqui...

Wednesday, March 17, 2010

Ninguém é estrangeiro no mundo

É um novo dia, um belo dia diga-se...porquê então, achei o mundo mais velho e as pessoas e as coisas mais cansadas e tristes ?
O Bloco de Esquerda está de parabéns pelo belo cartaz : "Ninguém é estrangeiro no Mundo". no comboio leio sobre novas ideias para o mundo, é uma revista americana, portanto são mais novas ideias para a América, mas os autores crêem a América o mundo...Chegado aqui, onde passo os meus dias, ganho a minha vida, lembro-me do Trenet e salta o "Il y a de la joie" e sim, por uns breves minutos há alegria.
Falta-me preparar um post sobre o Garzon e sobre o iníquo da perseguição que está a sofrer nos tribunais espanhóis, da degradação da politica italiana e como ela espelha um futuro próximo, da soberba alemã, da duplicidade britânica...mas sei que provavelmente não farei nada disto, correrei de tarefa em tarefa e esquecer-me-ei destas e doutras coisas e o mundo avançará, mais velho mais cansado e triste, contudo sempre renovado e pronto para novas partidas.

Friday, March 12, 2010

Do say what you want to say

Diz o que quiseres,
Poderá ou não ser de ouro
Mas o teu silêncio não vale nada
Quando tudo falha à tua volta.

Este rapaz, 19 anos foi encurralado numa esplanada
Cinco homens numa missão de justiceiros
Pediram “bicas”
Acabaram com ele num instante
Quando o pai chegou à sua beira
Só teve tempo para dizer :
“- Olha o que me fizeram.”

Diz o que quiseres
É preciso.



Do say what you want to say
It may be golden or not
But your silence is worthless
When things fail around you.

This boy, 19 years of age he was trapped in a coffee shop
Five men come in a vigilante mission
Asked for coffees
Finished him up in no time
When his father come to him
All he could say was :
“-Father, look what they’ve done to me.”

Do say what you want to say
It is urgent.

Monday, March 8, 2010

coisas maravilhosas

um peixe
ou um pássaro
são decerto coisas maravilhosas
muito mais
do que uma pedra
ou um pau

(olho para trás e vejo
quão pouco fiz até agora)

Wednesday, March 3, 2010

Cheia

O rio fora das margens baralha todas as coisas. Os meus óculos partiram-se. Sem ler fico como um peixe fora de água. Aproveito para olhar ao longe, ao longe vejo.
Os pássaros aproveitam os campos inundados e brincam em bandos, indiferentes aos comboios vagarosos. De repente bate-me, nós não somos um. Nunca seremos.
Nós somos múltiplos, diferentes de um rio ou de uma árvore, as nossas raízes as nossas margens, estão espalhadas por muitos lugares.
Respiro.

Saturday, February 27, 2010

I sing the body electric

Sábado, meio dia.
Subo mais uma vez o monte do "Castelo" acompanhado da Leah e do Baltazar, no miradouro junto à igreja, com o rio e a lezíria a meus pés, sinto a força do vento, que tudo parece querer levar.
O Tejo acirrado pelo vento, atira-se brutal contra os valados, tentando ganhar os campos.
Os pescadores na margem de cá, correm apressados, tentando proteger os barcos da força do temporal. Indiferentes a tudo o resto, os sinos da igreja, começam a tocar e entoam uma singela e feliz melodia.
Como que apoiado nela, um rapaz atira prancha e vela ao rio e com arrojo, cavalga rio e vento, em correrias de velocidade exaltante.
Penso como somos nós, os receptores de toda esta energia e como só nós lhe podemos trazer sentido. De repente sei o que quer dizer : I sing the body electric, porque o sinto no corpo.

Wednesday, February 17, 2010

Sundays

Penso na razão porque nos dias de descanso, estão carros parados na beira dos caminhos, ao sol.
Na maior parte deles, um homem só, sentado ao volante, parece deixar passar o tempo, noutros um casal já idoso, está também assim, no fluxo do tempo.
Será que não sabem para onde ir ? Estão cansados de tudo e já não querem ver mais nada ou tão só, agrada-lhes ver o passar dos outros, lestos estrada fora, gastando os seus domingos ?


I wonder why on Sundays, there are these cars parked on the side of the roads, on the sun.
In most of them, a guy sits alone at the wheel, just letting time pass him by, in others an elderly couple sits in the same way, just letting time go by.
Is there that they don't know where to go ? Are they tired of everything and don't want to see anything else, or it's just that they just want to see others, wheezing by the road, wasting their Sundays ?