(- Vou fazer qualquer coisa irracional e desligar-me da máquina - só para provar que sou humano...)
O céu exibe no azul cristalino os rastos dos jactos do dia, está muito frio
as avós regressam a casa depois de um dia na apanha da azeitona.
Acendem os fogos nas salas, para tornar a noite suportável,
olham para a chama, como se não a vissem,
como se fossem apenas um espelho.
Dentro do peito armazenam o calor que usarão depois como força motriz.
não sabes nada delas só por olhares para elas, sentadas no chão a tagarelar,
a fazer o que há para fazer.
Tens de seguir as teias que elas tecem, entender como seguram o mundo,
como as aldeias morrem com elas.
(Pensas no fogo que tudo transforma em cinza e na força que esmaga os frutos e nos dá os seus sucos, pensas no vinho e no azeite. Pensas que na origem de tudo existe uma vontade, um querer claro e preciso, aguçado como uma navalha. Pensas - escondido do frio e do escuro, opado como um pão.)