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Wednesday, June 2, 2010

túlipa negra



Conta-se a história do senhor que muito divertido no Túlipa Negra, recebe uma chamada da mulher e exclama aflito : " - Como soubeste que estava aqui ?".
É claro que os telemóveis eram uma novidade então e Portugal vinha de entrar no ciclo de abundância que a Europa fugazmente nos propiciaria. Curiosamente a Holanda também teve a sua bolha das tulipas...só que no século XVII.

Vamos assim chegando sempre atrasados, como é aliás nosso apanágio e somos reconhecidos por isso...Chegamos atrasados às partes boas e às partes más, mas vamos chegando e ninguém nos pode negar um jeito muito próprio de chegar e de fazer.

Citando Alberto Caeiro :

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.