Friday, December 22, 2017

O ritual do habitual

Presépio de Estremoz(2010) - (encontrado na Net graças ao Google)


É o tempo das luzes, de encher tudo de brilho e cor.
De trocar votos e partilhar doces.

Fundo correm os rios escuros da podridão, não param, nem se calam os gritos dos exaltados, nem  deixa de correr o veneno dos envenenados e dos odiosos...o mal não se derrota, combate-se.

Contudo é simples : juntar todos em redor da luz, despojarmo-nos de tudo o que não é estritamente necessário e amarmo-nos pelo que somos.
Ter a coragem de parar, interromper o habitual e exaltar o extraordinário que somos todos : seres capazes de salvar o que amamos.

Só assim persevaremos.


Wednesday, December 20, 2017

Equilíbrio

Tim Head, Equilibrium(1975) visto no blogue MeninaLimão(meninalimao.blogspot.pt)

Dizem que uma imagem vale por mil palavras...dizem que é duro viver no fio da navalha...dizem...

Tuesday, December 19, 2017

Cordoba(ou tu)...o outro






Tu és uma surpresa.

Diz a nuvem para o rio : tanto me reflectes como um espelho, como corres atrás de mim como um cavalo sem freio...

Aqui da margem, olhando o outro lado, achamos que lá é sempre o estrangeiro, o outro...

o estrangeiro


Monday, December 18, 2017

this and that

                              Portrait of Ugolino Martelli. Portrait of Ugolino Martelli. Artist, Agnolo Bronzino

Falamos tanto da idade...falamos tanto do tempo - este no sentido metereológico...
Ou preenchemos vazios, com platitudes...oh, queria-me tanto lembrar do nome da banda com a vocalista da voz fixe, mas são tantas bandas já...e o anticiclone dos Açores, não está no tempo dele...

Border song(Holy Moses), Aretha Franklin

Friday, December 15, 2017

Os poemas são como as músicas





Um dia sem planos...é como vivemos - sem mapa ou gps, um dia atrás do outro ao sabor de ventos e marés.

É assim : receosos de mãos enredadas, pé ante pé, levam-nos à escola, quase logo ficamos atados a uma árvore no recreio e chegamos tarde ao recomeço da aula, logo estamos no liceu a pedir namoro a uma rapariga, outro dia na tropa a aprender a acertar o passo e a cair "na máscara"...Casamos e vemo-nos com um bébé ao colo e não queremos saber de mais nada ou sabemos tudo.
Ou julgávamos que sabiamos que agora que temos cabelos brancos é que achamos que sabemos...ou já julgamos que não, mãos enredadas, pé ante pé, um dia trás do outro...

Os poemas são como as músicas, temos de tocá-los muitas vezes.

Thursday, December 14, 2017

Surtidas

Willy Ronis “Les Amoureaux de la Colonne Bastille”

O gosto dos bolos transportou-me a outro tempo e lembrou-me de surtidas, de jogos longos com poucos jogadores em campo, em que o domínio do espaço é vital e a iniciativa é tudo.


Johnny has gone for a soldier, Kronos Quartet with Nathalie Merchant

Wednesday, December 13, 2017

Vaidade







Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

...

Luís de Camões



O mais comum é escolher um sólido carro alemão e ir nele a todo o lado...
Não se mantém a elegância no pisar, nem sequer a vida lavada que todos queremos, por outro lado o conforto e a ostentação que se obtém são irresistíveis e é por eles que nós vamos - quase todos pelo menos.
Conhecemos histórias e por vezes presenciamos ou adivinhamos ações menos correctas, mas estamos habituados a olhar para o lado, a uma mão lavar a outra e no fundo todos acreditamos na sorte e no progresso social.
Mais habituados a calar do que a dizer, é-nos mais natural omitir. Depois a história brindou-nos com Áfricas, Indias e Brasis, fortunas pagas com sangue e lágrimas, mas que parecem tão fáceis e rápidas a quem as vê de longe. Porque não estes, por que não agora ?


Tuesday, December 12, 2017

Arrepio




Descemos da cama para o chão frio, o arrepio sobe por nós acima e sabemos que estamos acordados...

Olá.



The thrill of it all

Monday, December 11, 2017

A luz

Nos dias luminosos de verão a luz é esplendorosa e omnipresente, aquece e devora tudo e todos.

Nestes dias chuvosos e frios de inverno, acontecem intermitências e nesses intervalos, a luz tem outro valor...
Hoje queria tirar uma foto caminhando, enquanto atravessava a minha passadeira matinal, junto com uma pequena multidão buscando todos, nossos afazeres. A luz lateral, criando sombras alongadas, lembrando os bosques de pinho e eucalipto queimados que vemos ao longo das estradas.



Thursday, December 7, 2017

L’ordre du jour

A foto que não tirei hoje seria dos restos de um cartaz publicitário na parede exterior da estação de Sta. Apolónia, na corrida para o Metro e durante o percurso até ao trabalho pensei em como tudo passa por nós num turbilhão e como a nossa visão dos acontecimentos é afunilada, quando não artificiosamente fabricada...
Vem tudo isto a propósito de um livro interessante e bem escrito que ando a ler sobre a queda do comunismo e da URSS e o nascimento da nova Rússia, The Invention of Russia: The Rise of Putin and the Age of Fake News, de Arkady Ostrovsky.
Livro este recomendado num Expresso Curto, leitura que muito prezo todas as manhãs, no de hoje o jornalista (Ricardo Costa) destaca na seção da leitura recomendada um livro que julgo se insere na linha dos meus pensamentos acima :



"Éric Vuillard, um escritor que não conhecia, traça um retrato implacável da complacência com a ascensão do nazismo, a forma como os grandes industriais ajudaram a conquista do poder por Hitler, o processo de anexação da Áustria, a militarização desenfreada e uma caminhada inevitável para uma guerra que devastaria (de novo) a Europa.

A capa do pequeno livro traz uma foto de Gustav Krupp, um dos maiores industriais da Alemanha desses tempos, e é com ele com o livro começa e acaba, num aviso claro de que a história se repete, que muitas guerras não se evitam e que os benefícios do momento impedem muitas pessoas de ver o que aí vem.

L’ordre du jour é sobre isso, uma ordem do dia, com industriais e políticos à mesma mesa, a tratar de coisas que pareciam triviais mas iam mudar o mundo para sempre."

Walker Evans' “lineup of faces” on the subway

Wednesday, December 6, 2017

2017 ano de perdas

No cômputo do ano que se aproxima do fim, vimos desaparecer algumas referências nossas, algumas dessas mesmo urbi et orbi, outras só mais nossas...na altura não fiz menção ao desaparecimento de Prince, talvez porque na altura não consegui acesso a esta música, que para mim é a súmula do que torna Prince em Sua Alteza Púrpura :

Little red Corvette

uma memória, Leonard Cohen


O nome deste blog deve muito ao titulo de uma canção de Leonard Cohen...aqui há tempos numa tarde ociosa, comecei a pintar uma tela (andava esta lá por um canto aos caídos...), aconteceu isto alguns dias após a morte de Leonard Cohen e decidi garatujar os versos iniciais do "Like a bird on the wire" na tela e incluir como dedicatória logo á direita de quem olha o quadro : "on Lenny Cohen's death...".
O quadro de fundo amarelo, tenta reproduzir a trepadeira verde que eu via em contraluz pela janela e para destaque veio-me à cabeça uma figura que sabia ter visto nalgum lugar...o produto de um encontro de civilizações, alguém antigo e sofisticado, sobre o seu ombro paira um anjo, que lhe parece sussurrar ao ouvido...
(Quando se é famoso e morto, calculo que se tenha uma paciência infindável para os gestos pueris dos vivos...ou não estejam já mortos...).

Mais tarde, vim a descobrir a figura em que me baseeei, tinha-a afinal visto em Londres, no Vitoria and Albert.
Ei-la :




As pequenas mortes

Hoje ao sair do Metro contra a luz da manhã, ainda no corredor o azul dos azulejos da parede fundiu-se com o azul do xaile da senhora que caminhava à minha frente...estas eram as fotografias que gostava de tirar, as que nos dizem coisas que não sabemos bem quais são...
Chegado aqui leio esta entrevista sobre um morto-vivo do futebol e sei que todos nas nossas vidas, passamos por uma sucessão de pequenas mortes...

Entrevista na Tribuna Expresso a David Ginola


Friday, July 1, 2016

Sunday, March 9, 2014

O gajo das histórias

O gajo das histórias lia todas as histórias, tentava ouvir todas as histórias, esforçava-se mesmo por viver algumas.
O gajo das histórias não tinha nem ciência, nem método - o gajo das histórias não ia lado nenhum e acabava comparado com o pai :
- Um gajo das feiras, a apregoar mantas e enxovais mais o chapéu de chuva de ocasião...

O gajo das feiras teve uma ideia "genial", arranjar uma contagem decrescente até ao seu desaparecimento completo, a sua obliteração absoluta : um canhão humano anunciando a sua impotência, despoletado pela conta da luz.

(Tocavas a campainha e avançava a contagem, ligavas a luz da escada e contava mais um pouco, chegavas ao hall e...).

Um gajo sem história,

Thursday, January 23, 2014

Fellini on Passion





"There is no end. There is no beginning. There is only the passion of life." - Federico Fellini

Monday, July 8, 2013

Summer


Eishōsai Chōki (Japanese, active late 18th–early 19th century)

Thursday, December 13, 2012

Dezembro





as pessoas precisam de pessoas
as bocas de bocas
as mãos de mãos...
os olhares de olhares
e os risos alimentam-se de risos.